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Sexta-feira, Janeiro 30
Algumas imagens na vida da gente são eternas.
Nascimentos, casamentos, batizados...
O primeiro beijo, a primeira lágrima.
Mas nem sempre essa imagem equivale a um grande evento,
ou talvez equivalha,mas, de maneira diversa,num foco pessoal.
Recordo uma vez - eu era menina, brincado de chazinho com minhas amigas, no jardim de casa.
Se eu forçar a memória lembro dos pequenos detalhes,
toalha no chão, biscoitinhos nos pratos,um cheiro doce que misturava-se com o açúcar e as flores,
eu me lembrarei, sempre da minha infância, me volta à lembrança na forma de uma imagem eterna captada.
Lembro também, do dia que sumi de casa, não que eu havia fugido e nem estava longe, estava na rua ao lado,
na casa de uma senhora, brincava sozinha no jardim de sua casa, daí meu primo me achou e disse que minha mãe estava me procurando, que levaria uma surra, (surra que não levei).
E,me lembro do depósito de construção na esquina da minha rua, sempre ia pedir barro (argila) para brincar, fazia panelinhas, pratinhos,sofázinhos, fazia tudo! Até o barro acabar e minha unhas ficavam pretas de sujeiras, travessuras.
Lembro de um dia de chuva, gostava de ficar sentada na varanda, olhando a chuva cair, até granizo eu vi!
Jamais vi novamente uma chuva como aquela, a magia que existiu naquele momento jamais se repetiu.
Me faltam hoje os olhos que tinha e com os quais contemplei a cena.
Olhos que viam a vida com poder de captação,olhos que viviam a vida. Naquele dia, na varanda de casa, eu me embriaguei de paz;
minhas células, meus neurônios, meus átomos se anestesiaram de tranqüilidade e de uma certeza magnânima de que eu fazia parte daquilo,assim como cada gota daquela chuva que na sua existência, mesmo que efêmera, era completa.
Todas as vezes em que vejo uma chuvinha fina, procuro por um poste de luz amarela e tento recriar o retrato.
Minha visão é contemplativa, aprecia a beleza e até se emociona, mas não sou mais parte de nada,ao contrário, me tornei uma pessoa com opiniões próprias e um medo gigantesco de perder essa nova condição,
de perder uma pseudo-identidade que garante o equilíbrio de pessoa adulta.
Essa tal "maturidade", obrigação primeira de ostentação humana...
Aquela que faz alguns tomarem remédios de tarja preta e outros procurarem refúgios para suas almas.
E eu continuarei à cata da minha garoa perfeita, mesmo que meu intelecto se interponha, ainda que eu tenha a certeza de não a poder encontrar mais.
Talvez eu ainda volte a ver e sentir aquela chuvazinha.
Quem sabe tudo o que eu disse acima seja uma tremenda besteira e a mágica toda esteja flutuando na atmosfera de lá?
Quem sabe?
Raramente falo da minha vida, escondo-me em poemas, mas hoje acordei com essas lembranças,que me levou a este post.
Bom final de semana para todos!
Goreti Maia às 10:47 AM - Entre com o pé direito!
Segunda-feira, Janeiro 26
Música que toca seu coração
Você deve saber o que toca seu coração.
Ainda que toque fundo ou de fininho,
a gente compreende quando toca
e só depois de um nada ou um tudo de bom,
que damos conta da música ritmada com a pulsação.
A sensação é progressiva,
os sentidos marcham rumo à ebulição,
o desfecho é provavelmente esperado,
mas os instantes são inéditos e às vezes até imerecidos.
Seria como se o som fosse aumentado gradativamente
e, então, a melodia repercutisse soberana.
Na ausência de batutas, escalas, círculo das quintas, podem ser perceptíveis
alguns rascunhos de inspiração, no entanto, a sonoridade tem outra fonte, outros ritmos, outros ouvidos.
Algo que toca seu coração é aquele joão-de-barro enlameado que continua construindo a mesma casa depois de todos os chuviscos e chuvaradas; é aquele cachorrinho andarilho leviano na selva de pedra faz alguém frear bruscamente, um outro alguém torcer loucamente para que o sinal vermelho seja eterno e incentiva mais alguém a colocar a boca no trombone perguntando, sem pistas ou razões, pelo dono, pelos pais, pelos irmãos ou pela coleira do bichinho.
Para tocar seu coração basta, igualmente, uma gota de orvalho, que caia de uma folha verde, que escorregue de uma pétala de rosa, que regue uma minúscula parcela de terra, mas que esteja bem a sua frente, como se aquela partícula transparente fosse uma lágrima sua e você tivesse chorado de gratidão, de felicidade.
Toca corações mirar mãos enlaçadas no ar, sobrepostas quase que anarquicamente, públicas para todos, incomparavelmente unidas, prazerosamente guiadas a norte ou a sul, dadas para companhia, pelo respeito, pelo compromisso, pela simples vontade. Seriam grandes as dos pais e pequenas as dos filhos, protetoras as dos enamorados e sedosas as de suas damas, amorosas as dos avós e confiantes as dos netos se não constituíssem apenas a forma viva do amor.
Sempre tocando nossos corações reinam absolutos aqueles que, mesmo atingidos por intempéries físicas e mentais, continuam lendo o jornal do dia, buscando disposição para o esporte, amando seu cônjuge e filhos, cultivando plantas; aqueles que se engajam e se perpetuam na luta pela igualdade de direitos e oportunidades ainda sem perceber a totalidade de sua dor, de sua própria perda. E estes tocam cada vez mais nossos corações quanto maior for nossa compreensão sobre nós mesmos.
Contudo, nada mais toca seu coração do que a fé. A fé na pureza e na amizade dos animais, na sabedoria e exatidão da natureza, na reciprocidade de sentimentos construtores, na longevidade da vida que encontra passagem depois da tormenta.
E tudo o que anda tocando seu coração prescinde de partituras, regentes, críticos, notas e tons, e até as mais tocantes letras permanecem mudas frente a tanta música para o coração.
Então...o que seu coração está tocando hoje?
Beijos e boa semana para todos!
Goreti Maia às 10:30 AM - Entre com o pé direito!
Terça-feira, Janeiro 20
Semearei
Eu quebrei meu sonho
E semearei os cacos
Na poeira das estrelas...
E serão pétalas de luz
Abandonadas
Na solidão da noite...
E serão retalhos de fantasia
Dispersos
Bem longe do mundo...
E serão gotas de emoção
Contidas
Nas veias congeladas...
E serão lágrimas ardentes
Sufocadas
Na melancolia do coração...
E serão versos cintilantes
Arrumados
No sereno desespero de um poema...
Eu semearei os cacos
Do meu sonho quebrado
Na poeira das estrelas...
Eu semearei....
A Vida.
Goreti Maia às 1:34 PM - Entre com o pé direito!
Sexta-feira, Janeiro 16
Olá!!!! Eu continuo a mesma, mas meu blogger....quanta diferença!!!!
O que acharam?????
Vou voltar a postar semana que vem, estou com vários textos, bem legais que escrevi nas férias....ando inspirada, tudo tem sido motivo para a poesia.
Bem, vou nessa...
Me esperem!
Beijos e Rê muito obrigada pelo Help!
Vc é fera em html!!!!
Goreti Maia às 12:53 PM - Entre com o pé direito!
Terça-feira, Janeiro 6
Vida X Desejos
Tem uma coisa que ainda me engasga: esse começo deste ano. A gente inicia, pensando ter pela frente a via-láctea aos pés, e o céu estrelado como morada. Ao lado, segurando na sua mão, um sapo, que lhe trouxe a magia e sedução. Não sei porque, parece-me que todo encantamento tem prazo, de repente há um estalo - e tudo vira Pesadelo. E depois a vida não se desenrola do jeito que a gente imaginou. Faz ela seu próprio caminho, e não é o mesmo caminho que me deslumbrou quando iniciei a caminhada.
A gente sempre espera que sejam "mil coisas que nos salvem" de uma trilha perdida que pegamos; porém compreendi na prática,que é preciso seguir "ao lado dos desejos". Não é "o dever, a honestidade, o sermos bons, o sermos justos" que nos tira da emboscada em que nos pegaram; a única coisa que 'mostra luz' no final do túnel são aquilo que palpita dentro de nós. Os desejos, forrados dos sonhos e da paixão que temos no interior de nós mesmos.
E tem o lado ambíguo dos desejos - se é tarde demais, ele é como um açoite, forte. Fere e machuca. Porque nós também intuimos que o tempo já passou, e queremos reverter o processo, mergulhamos de cabeça nesse querer, com tanta intensidade e força que ninguém pode imaginar. Só sentir... E também saimos dessa história machucados com a mesma dimensão: uma dor brutal, negra, nos jogando ao chão, tirando-nos o caminho, os desejos, a vida...
Tem o tempo de Culpa. "Por que eu não enxerguei que não havia "mais momentos para desejo", que era o Príncipe um Morto, Defunto já enterrado de dor e tragédias?" Mais um pouco, e nem isso a gente sente, ficamos anestesiados. Quando se anda pela praia, pode-se perceber a beleza do efêmero com o tempo. Conforme o caminho, as pegadas na areia são apagadas pelas ondas. O mar toda noite vêm, e apaga. A maré esconde. É como se ninguém houvesse passado por ali. É como se não tivesse existido. E aqui eu sou Nada, sem passado, sem futuro.
Não é mais Terra, não é mar ainda. `Não é vida falsa, não é vida verdadeira. É tempo. Tempo que passa. E só. Melhor que isso, eu indo dormir agora (3:45h da madrugada),e acordando exatamente a um ano atrás, suando frio, chorando baixinho, sufocada pelo Pesadelo Horrível. Ah, como gostaria de poder dizer: Ainda bem que foi só Imaginação! Passou. Posso não embarcar nesse navio naufragado, posso me salvar...dos desejos que nos corrompem, e dos amores que nós perdemos.
Coisas boas devem ocorrer somente com pessoas totalmente boas ou Idiotas.
(da série Metendo a Colher / por Lya Luft ) Ensaio Geral
Goreti Maia às 1:34 PM - Entre com o pé direito!
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